Tetsuo – The Iron Man (1989)

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É sabido que o processo de industrialização mundial sofre, desde seus primeiros avanços, severas críticas sobre as transformações sociais por ele geradas. De Marx -que criticava as relações formadas pelo sistema de apoderação do maquinário pela burguesia e a exploração operária por ela criada- a Bauman, que aponta, dentre outros fatores, o veloz e agressivo avanço tecnológico como um dos principais “culpados” pela formação de uma sociedade imediatista e superficial, o progresso da indústria sempre passou por observações negativas por parte de intelectuais do mundo todo. Nesse sentido, insere-se a obra hoje analisada, Tetsuo – O Homem de Ferro, cuja apresentação vertiginosa caracteriza de forma extremamente peculiar as relações entre homens e máquinas. Vamos lá!

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12 Angry Men (1957)

 

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É um tanto quanto curioso, se me permitem dizer, como algumas situações polêmicas aparentemente muito atuais têm suas raízes em décadas passadas. Creio que ainda estejam frescas na cabeça dos leitores memórias relativas ao alvoroço provocado pela aprovação da PEC 171/1993, cujo texto previa a redução da maioridade penal. De um lado, pessoas afirmavam se tratar de um absurdo, uma vez que muitos jovens eram levados a cometer crimes por terem uma formação social desumana. De outro, um grupo mais reacionário bradava que o lugar de delinquentes, independentemente da idade e do passado, é a cadeia.

Esse tipo de discussão, todavia, não é tão recente quanto se pensa. Nesse sentido, o filme hoje avaliado, rodado durante os anos 50, apresenta de forma pessoal uma série de debates que vão da condenação à pena de morte até o preconceito étnico. Sem mais delongas, vamos à película.

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25th Hour (2002)

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Tendo em vista a qualidade da última introdução feita, na qual fiz comentários comparativos em relação a algumas obras, além de ter sido justamente uma característica tão peculiar do cinema um dos pontos que mais me chamou atenção no filme analisado, penso que será interessante iniciar a análise da película de hoje por meio de algumas comparações.

De início, devo admitir ser bem curiosa, pelo menos para mim, a capacidade apresentada por diretores e roteiristas de condensar uma extensa quantidade de tempo em algumas poucas horas ou de, simplesmente, fazer o contrário: encaixar um enredo cujo espaço temporal é curto em um intervalo de tempo próximo ao da narrativa. Nesse sentido, é interessante apresentar alguns extremos, como Boyhood (2015), filme indicado a mais nobre categoria do último Oscar, no qual a trama se desenvolve em um período de doze anos (sendo que o filme levou, de fato, doze anos para ser gravado!) e O Homem da Terra (2007), filme pouco comentado, mas que apresenta uma boa carga filosófica, no qual a narração, que ocorre entre o entardecer e o anoitecer, é apresentada no período de uma hora e meia. Entre esses dois exemplos, embora se aproximando mais do segundo, está A Última Noite (2002), um filme que explora de forma intensa o mar de pensamentos que sacode a cabeça de um homem durante suas últimas horas de liberdade. Peço perdão pela introdução extensa. Sem mais encheção de linguiça, vamos à obra.

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Vertigo (1958)

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É interessante como o “timing” no cinema evoluiu com o passar das décadas.  Tomando como norte filmes de suspense que envolvem investigações policiais, é engraçado ver como o progresso da história em A ilha do Medo (2010) ocorre de forma mais frenética, embora não menos envolvente, do que em Veludo Azul  (1986). Este último, por sua vez, tem seu enredo desenrolado, em termos temporais, de forma mais ligeira do que Um corpo que cai (1958). A propósito, é exatamente essa terceira obra  –considerada a magnum opus de Alfred Hitchcock – que passará pela avaliação de quem vos escreve nesse nublado dia 12. #partiu?

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Cinema Paradiso (1988)

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À frente de uma janela cuja vista é o calmo Mar Tirreno, uma senhora e sua filha, moradoras da região autônoma da Sicília, fazem uma série de ligações no que parece ser a a sala de estar de uma casinha rústica. Na mesa, talvez colocada de forma poética, uma tigela com limões sicilianos. Creio que a cena só ficaria mais italiana se, junto às senhoras, Dom Corleone estivesse sentado comendo um prato de macarrão com uma Thompson M1A1 do lado.

Desse modo tem início Cinema Paradiso, escrito e dirigido pelo cineasta italiano Giuseppe Tornatore, uma verdadeia obra metalinguística que homenageia, de forma singela e única, a tão amada sétima arte.

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El Topo (1970)

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Tragam suas cartelas de doces, retirem Dalí de sua tumba e não se esqueçam de chamar a Baby do Brasil: El topo, o filme hoje analisado, é uma obra fortemente carregada de surrealismo e de situações desconcertantes. Escrita e dirigida pelo consagrado cineasta chileno Alejandro Jodorowsky, conhecido por suas obras esteticamente chamativas e de profunda subjetividade, a película da vez apresenta diversos pontos que envolvem livre interpretação, além de “tiradas” que requerem certa atenção e um pouco de imaginação para o compreendimento, tornando a experiência de assisti-la única para cada espectador. Já estamos todos abençoados pelo espírito da ampla perspectiva? Não importa, começarei assim mesmo.

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Good Will Hunting (1997)

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Dirigido pelo cineasta norte-americano Gus Van Sant, Gênio Indomável é, sem dúvidas, uma obra impecável, cuja avaliação e opinião de quem aqui escreve não poderia deixar de ser publicada. A película hoje avaliada é ganhadora de dois Oscars, na categoria de “Melhor Ator Coadjuvante” e “Melhor Roteiro Original”. O primeiro prêmio, dado mais do que merecidamente a Robin Williams, já não era uma surpresa, tendo em vista o grande trabalho do ator, que será posteriormente comentado. Porém, o arrebatamento da segunda estatueta foi um tanto quanto surpreendente, causando perturbação tanto em cinéfilos quanto em críticos profissionais. Como recipientes os jovens Matt Damon e Ben Affleck, a pequena estátua dourada foi disputada contra três grandes peixes: Woody Allen, com o filme Desconstruindo Harry, e Mark Andrus e James L. Brooks, com o filme Melhor é Impossível, que rendeu o Oscar de melhor ator a Jack Nicholson e de melhor atriz à Helen Hunt. Além disso, o ator Matt Damon, que protagoniza o filme, recebeu, no festival de Berlim, o Urso de Prata. A obra ainda entra na lista dos 100 Melhores Filmes, de acordo com os profissionais de Hollywood, lançada pelo The Hollywood Reporter. Eu poderia simplesmente parar por aqui, mas creio que essa fita mereça comentários e aprofundamentos. Sendo assim, sigam-me os bons!

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